Como calculamos a chance de título: o método de Monte Carlo

Por Redação FutebolWebAtualizado em

Quando o Simulador mostra 59,4% de chance de título para um time (foi o caso do Flamengo no cálculo de 15/10/2026), essa porcentagem não é uma opinião. É o resultado de uma contagem. Este guia explica a ideia em linguagem simples; a descrição completa, com todas as regras, está na página Metodologia.

A ideia: jogar o campeonato muitas vezes

O método de Monte Carlo consiste em repetir um sorteio muitas vezes e contar os resultados. No futebol, o sorteio é o restante do campeonato. O computador "joga" todos os jogos que faltam, monta a classificação final e anota quem ficou em primeiro e quem ficou entre os últimos. Depois apaga tudo e repete.

Nas ligas de pontos corridos, repetimos 20.000 vezes. Se um time foi campeão em 5.000 delas, sua chance de título é 5.000 ÷ 20.000 = 25,0%. Se caiu em 14.000, o risco de rebaixamento é 70,0%. Nas copas, que têm um cálculo próprio, são 10.000 repetições.

Como cada jogo é sorteado

Para cada jogo que falta, o simulador estima quantos gols cada time deve marcar e sorteia o placar.

1. Força de ataque e de defesa. Para cada time, dividimos os gols marcados por jogo e os gols sofridos por jogo pela média de gols por time na liga. Um ataque de 1,20 marca 20% mais que a média; uma defesa de 0,80 sofre 20% menos. Cada time tem um único índice de ataque e um de defesa, calculados com todos os jogos da temporada.

2. Mando de campo. O mandante tem os gols esperados multiplicados por 1,20 e o visitante, por 0,85. Esses fatores são fixos e iguais para todos os times.

3. Distribuição de Poisson. É um modelo matemático usado para contar eventos como gols. Dado o número esperado de gols, ele diz a chance de cada placar. Exemplo ilustrativo: um time com 1,5 gol esperado marca 0 gol em 22,3% das vezes, 1 gol em 33,5%, 2 gols em 25,1% e 3 gols em 12,6%. Um time com 1,0 gol esperado marca 0 gol em 36,8%, 1 gol em 36,8% e 2 gols em 18,4%. Os dois times são sorteados de forma independente. Em um jogo entre 1,5 e 1,0 gol esperado, isso dá 48,8% de vitória do primeiro, 26,0% de empate e 25,2% de vitória do segundo.

O fluxo completo

  1. Partimos da tabela atual: pontos, vitórias, gols marcados e sofridos.
  2. Sorteamos todos os jogos que faltam (os adiados e os em andamento também entram).
  3. Somamos os pontos, ordenamos a tabela com os critérios de desempate e anotamos quem foi campeão e quem caiu.
  4. Repetimos 20.000 vezes e calculamos as porcentagens.

Mesmo cenário, mesmos números

Nas ligas, a sequência de sorteios é definida pela própria tabela e pelos jogos que faltam. Enquanto nenhum jogo terminar, recalcular dá exatamente os mesmos números. Eles só mudam quando a situação muda. Nas copas, o sorteio não é fixado e os números podem variar um pouco de um cálculo para outro.

Por que às vezes aparece ">99,9%" e nunca "100%"

Mostramos 100% ou 0% somente quando a conta de pontos já decidiu o resultado. Enquanto ainda for possível acontecer o contrário, mesmo que raro, aparece ">99,9%" ou "<0,1%". A página do Simulador mostra a data da última atualização dos números.

O que o modelo não sabe

O modelo não considera lesões, suspensões, escalação, forma recente, cansaço e viagens, nem a força dos adversários já enfrentados. Com poucos jogos disputados, os índices são instáveis. Por isso, as porcentagens são estimativas de um modelo estatístico, não garantia de resultado: 70% de chance quer dizer que em 30% das vezes acontece outra coisa.

Em 15/10/2026 conferimos os números do simulador com um segundo programa, escrito à parte, de 200 mil simulações. A maior diferença foi de 0,8 ponto percentual. Isso confirma que a conta está correta, mas não mede se o modelo acerta; o modelo ainda não tem histórico público de acerto.

Veja as porcentagens atuais no Simulador e a descrição completa na página Metodologia.

Redação FutebolWeb