Metodologia: como calculamos as probabilidades

Por Redação FutebolWebAtualizado em

Esta página descreve o cálculo como o programa do FutebolWeb o executa.

A ideia

O simulador não adivinha o futuro. Ele sorteia, muitas vezes, os jogos que faltam e conta o que acontece. Se um time é campeão em 5.000 de 20.000 temporadas simuladas, sua chance é 25,0%.

Passo 1: força de ataque e de defesa

Para cada time, dividimos os gols marcados por jogo e os gols sofridos por jogo, na competição, pela média de gols por time por jogo da liga. Um ataque acima de 1 marca mais que a média; uma defesa abaixo de 1 sofre menos. O valor mínimo é 0,1, e quem ainda não jogou recebe 1,0. Todos os jogos da temporada pesam igual.

Passo 2: gols esperados em cada jogo

  • Mandante = ataque do mandante × defesa do visitante × média de gols por time × 1,20
  • Visitante = ataque do visitante × defesa do mandante × média de gols por time × 0,85

Os fatores de mando de campo são fixos e iguais para todos os times.

Passo 3: sorteio dos placares

Os gols de cada time são sorteados pela distribuição de Poisson, um modelo matemático usado para contar eventos como gols. Os dois times são sorteados de forma independente.

Passo 4: repetir e contar

Cada jogo que falta (inclusive adiados e em andamento) é sorteado, e a classificação final é montada. Isso se repete 20.000 vezes por liga de pontos corridos e 10.000 vezes nas copas. A chance de título é a parcela das simulações em que o time terminou em primeiro; o risco de rebaixamento, a parcela em que terminou entre os últimos.

Desempate. Brasileirão Séries A e B: pontos, vitórias, saldo de gols, gols pró e sorteio. Premier League e La Liga: pontos, saldo de gols, vitórias, gols pró e sorteio. Confronto direto e cartões não são usados.

Mesmo cenário, mesmos números. Nas ligas, a sequência de sorteios é definida pela tabela e pelos jogos que faltam; os números só mudam quando algo muda. Nas copas o sorteio não é fixado, e pode haver pequena variação entre cálculos.

Como ler as porcentagens

Os valores são arredondados para uma casa decimal. Mostramos 100% ou 0% apenas quando a conta de pontos já decidiu (um empate em pontos não decide). Nos demais casos aparecem >99,9% (pelo menos 19.990 das 20.000 simulações) e <0,1% (no máximo 9 em 20.000): quase certo, mas ainda não decidido.

Exemplo com números reais

Tabela do Brasileirão Série A em 15/10/2026. A média da liga era 2,676 gols por jogo (1,338 por time).

  • Flamengo: 58 gols pró e 25 contra em 30 jogos. Ataque 1,44; defesa 0,62.
  • Palmeiras: 52 gols pró e 22 contra em 30 jogos. Ataque 1,30; defesa 0,55.

Num confronto hipotético com o Flamengo como mandante: Flamengo, 1,44 × 0,55 × 1,338 × 1,20 = 1,27 gol esperado; Palmeiras, 1,30 × 0,62 × 1,338 × 0,85 = 0,92. Pela distribuição de Poisson: vitória do Flamengo 44,6%, empate 28,6%, vitória do Palmeiras 26,8%. O placar mais provável é 1 x 0, com 14,2%.

Na temporada, com 81 jogos por fazer, o simulador deu 59,4% de título ao Flamengo e 40,6% ao Palmeiras. A Chapecoense, com 18 pontos e 9 jogos, podia somar no máximo 45; para estar rebaixada pela conta de pontos, 16 times precisariam ter mais que isso, e eram 7. Por isso, com a tabela daquele dia, o simulador mostra >99,9%, não 100%.

Probabilidades na página do jogo

Antes da partida, usamos o mesmo cálculo com dois ajustes: cada time recebe 4 jogos "virtuais" com a média da liga, para evitar exageros no início do campeonato, e o confronto direto entra com peso de 20% (a partir de 3 jogos anteriores). Sem dados suficientes, a barra não aparece.

Histórico do simulador e variações de chance

Além do último cálculo, o FutebolWeb guarda uma foto diária das chances de título e de rebaixamento de cada liga de pontos corridos. Quando uma matéria diz que "a chance do time subiu de X% para Y%", X é o valor da última foto anterior ao jogo e Y é o valor do primeiro cálculo feito depois dele.

Essa variação não vem só do jogo citado. Os resultados dos rivais e as demais partidas disputadas entre uma foto e outra também mudam o número. Por isso, a matéria indica as datas dos dois cálculos, e a variação deve ser lida como o saldo do período, não como o efeito de um único resultado.

O histórico só existe a partir da data em que passamos a guardá-lo; para datas anteriores a ela não fazemos essa comparação. Também só citamos variação de chance nas competições em que o histórico existe. Como todo número do simulador, as variações são estimativas de um modelo estatístico, não garantia de resultado.

Quando um pós-jogo cita a chance que o modelo dava a cada resultado antes da partida, ela é calculada como na página do jogo, descrita acima, com os dados disponíveis antes de a bola rolar.

Copas

Só a fase atual do mata-mata é simulada. Confrontos decididos têm vencedor fixo; os demais partem do placar agregado. Nas fases seguintes, os classificados são sorteados em pares, em jogo único e campo neutro, e o empate vai aos pênaltis, 50% para cada lado. Os gols esperados usam a campanha na competição, com base de 1,3 gol por time, fator 1,15 para o mandante e 0,85 para o visitante, limitados entre 0,2 e 4,0.

O que o modelo não considera

Lesões, suspensões, escalação, forma recente, calendário, viagens e descanso, troca de técnico, a força dos adversários já enfrentados e projeções ou cotações de terceiros. Com poucos jogos disputados, as forças são instáveis.

Limites e validação

É uma estimativa, não uma garantia: 60% de chance significa que em 40% das vezes acontece outra coisa.

Em 15/10/2026 conferimos os números com um segundo programa, escrito à parte (Monte Carlo com 200 mil simulações, mesmo modelo). A maior diferença foi de 0,8 ponto percentual. Isso confirma que o cálculo está correto; não mede se o modelo acerta. O modelo ainda não tem histórico público de acerto, e por isso não divulgamos taxa de acerto.